Mushrooms

Sylvia Plath



Overnight, very 
Whitely, discreetly, 
Very quietly 

Our toes, our noses 
Take hold on the loam, 
Acquire the air. 

Nobody sees us, 
Stops us, betrays us; 
The small grains make room. 

Soft fists insist on 
Heaving the needles, 
The leafy bedding, 

Even the paving. 
Our hammers, our rams, 
Earless and eyeless, 

Perfectly voiceless, 
Widen the crannies, 
Shoulder through holes. We 

Diet on water, 
On crumbs of shadow, 
Bland-mannered, asking 

Little or nothing. 
So many of us! 
So many of us! 

We are shelves, we are 
Tables, we are meek, 
We are edible, 

Nudgers and shovers 
In spite of ourselves. 
Our kind multiplies: 

We shall by morning 
Inherit the earth. 
Our foot's in the door.



Cogumelos


Varando a noite, com
Brandura, brancura,
Silêncio absoluto,

Do artelho aos narizes
Tomamos posse da argila
E do ar adquirido.

Ninguém nos avista,
Nos detém, nos agride;
Evadem-se os grãozinhos.

Punhos suaves insistem
Em brandir agulhas,
O recheio folhudo,

Até o calçamento.
Nossos martelos, marretas,
Sem olhos e ouvidos,

De voz nem um fio
Alargam as gretas,
Ombro abrindo fendas. Nós

Vivevos a pão e água,
Migalhas de sombra,
Com modos afáveis,

Inquirindo pouco ou nada.
São tantos de nós!
São tantos de nós!

Somos estantes,  somos
Mesas, somos humildes,
Somos comestíveis,

Aos trancos e arranques
Apesar de nós mesmos
Nossa espécie se expande:

Pela manhã, havemos
De herdar o planeta.
E nosso pé porta adentro.


translated by Flávio Quintiliano
(in LEIA journal, issue 121,Brazil, 1989, p. 50)



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thanx to:

Elson Froes